quinta-feira, 9 de agosto de 2012

CAFÉ, POLÍTICA E RÁDIO

Naquele tempo, anos 50, os adultos da minha cidade, inclusive meus pais, se envolviam em querelas políticas ( o Rato e o Coelho (candidatos locais), Varre, varre vassourinha do Jânio Quadros, impagável, etc ou com os artistas da Rádio Nacional, Mayrink Veiga: Chico Viola, Emilinha Borba, Marlene, Neuza Maria, Lúcia Helena, Dalva de Oliveira, Dircinha e Linda Batista, Jorge Veiga, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Cauby Peixoto, etc. Dona Luzinete escolheu dentre eles, nomes para registrar três fillhas e um filho. Uma delas já não se encontra entre nós, está em outro patamar nos trazendo muita saudade.
Era a época de ouro do rádio: Repórter Esso, Balança mas não cai,um edifício que era uma zorra total, com muitos dos nossos grandes comediantes; a novela, "A morte ronda o lago", tenebrosa, assustadora, "Jerônimo, o herói do sertão" e outras que me fugiram da memória. Depois de casada, anos 70 estive em São Paulo e fui conhecer a Rádio São Paulo com minhas filhas e conhecer os artistas. Que surpresa ao ver que a "mocinha" da novela era uma simpática senhora, e o galã que na nossa imaginação era um belíssimo rapagão, era completamente diferente. Surpresa e ao mesmo tempo decepção.
Daqui a pouco chego à terra do Bar Pinguim de hoje. Ribeirão Preto se aproxima.
É muito pouco tempo para tanta mudança. Não, não é de lugar não! São mudanças de hábitos e atitudes, de aparelhos eletro eletrônicos, de objetivos, de ritmo de vida. De crianças livres e soltas para crianças aprisionadas entre quatro paredes ou muros. Quem diria que há cinquenta anos atrás, (não ria não! Se você só viveu quinze dezoito ou quarenta anos, fique sabendo que cinquenta é pouquíssimo tempo), eu, por volta dos doze ou treze anos, rachava lenha, para o fogão, torrava café e aproveitava para assar castanhas de caju dos nossos três lindos cajueiros e moía o café só na hora de coar.
Lá no bar Pinguim, por volta dos meus seis ou sete anos ou oito anos (Lembra? Ai que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida..., Grupo Escolar João Leonel Berbert, orfeão com a Dona Aparecida Brandão...) já havia máquina registradora, um rádio importado que na época era raro e caro, ligado a um alto-falante que espalhava o som para os clientes e viajantes, pois lá também foi ponto de ônibus quando não havia rodoviária na cidade.
Nosso bar era o point do pessoal das fazendas, na época a maioria de café; das vilas vizinhas, do pessoal de santa América, Sete de Abril, Macucos, Guaimbê ...Uma pessoa que sempre me vem à memória, sentada à mesa do bar conversando com meu pai, Manoel Camello é o João Vieira (casado com a professora Rosa), ambos com seus ternos brancos de linho. 
Em uma visita que fiz a Getulina, alguns anos atrás, levada pelo meu genro e minha filha que quiseram conhecer a terra onde nasci, recebi de Dona Clarice Falqueiro, muito querida, um copo de chopp que era do Pinguim, um presente que minha mãe lhe havia dado quando mudamos de lá. Eu o guardo com muito carinho!
Você deve estar pensando que é saudosismo, até pode ser, mas é memorismo. Não posso deixar apagar de vez aquilo que me fez ser quem eu sou. Se não der prá guardar na cabeça, guardo num pen drive.
Deu prá você perceber a distância louca que nós, da minha geração, percorremos em tão pouco tempo? 

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