sexta-feira, 10 de agosto de 2012

ESCOLA , FAMÍLIA E SONHOS

Continuo no ônibus. Acabei de ver lá no Graal, onde paramos para o lanche, uma TV de plasma e um pouco antes peguei meu celular e liguei para o meu sobrinho querido, o Sérgio que junto com a Janaína, sobrinha neta, me trouxeram até a Rodoviária Tietê, para avisar que já estava a caminho e agradecer por tudo o que me proporcionaram, estive na casa da minha irmã Neuza por quatro dias.
Deu para sentir a distância que percorremos nestes cinquenta anos, deu?
Uau! Dei mais um salto no tempo ("O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar") e fui parar no campo de futebol de Getulina onde, não me lembro exatamente em qual feriado, nós do ginásio nos apresentávamos com o uniforme de educação física, uma camiseta branca com o símbolo olímpico, uma saínha branca pregueada, tipo tenista, calções vermelhos e fazíamos ginástica rítmica, tendo nas mãos, lenços coloridos. Era lindo!
Mas o que era mais lindo e gostoso, lembra amiga Leudimila, era fugir do ginásio na hora do recreio ( a escola não tinha muros) e ir comer o pão de casa saboroso que a tia Olívia fazia. Era para a casa da tia que eu ia também, como ratinho de biblioteca (eu era muito magrinha) ler as revistas de histórias sagradas do meu primo Antonio. Li histórias de São Cosme e Damião, Santa Rita de Cássia, Santa Rosa de Lima entre tantas outras.
Mais nomes vieram embarcar nessa minha louca viagem: Irene, Maria Helena, Aléssio, José, Álvaro, todos da tia Olívia. Queca, Clídia, do tio Ernesto Vivan, Eleni, Elenice, Lilian, Dulceléia, da tia Nerci. Quanto brincar no quintal da tia Nerci. Eh! Saudade!
Costumava atravessar a cidade para ir à casa da tia Lieta, onde quer que ela estivesse morando, no sítio ou na cidade e compartilhar meus dias ou noites com sua família, a Linda, Jaci, Antenor,Moacir, Negão e Neuza. Deus me presenteou com uma família grande,que me deixou muitos bons momentos gravados indelevelmente no peito.
Só em casa éramos muitos. Moças que vinham do sítio para morar conosco e ajudar a cuidar de nós e se tornavam nossas irmãs ou quase mães.. Entre elas a Nena que casou com o Nildo Caliani, a Maria, Jandira, Lindaura e outra que não me lembro o nome, cuja mãe havia morrido e antes de mudar-se para outro patamar, pediu para minha mãe que cuidasse delas. Minha casa sempre foi muito cheia de gente. Éramos em oito: Maria de Lourdes (Lula), Nerci (Xuxa), Ionete, eu, Neuza Maria, Dirce Léia, Nelson Luís e Sonia Maryce. Uns olhavam pelos outros. A minha parceira nas brincadeiras era quase sempre a Neuza, só dois anos de diferença na idade. Nós duas, pégamos os branquíssimos lençóis da minha mãe, sem que ela visse, é claro, e os amarrávamos nos galhos do cajueiro, imitando a lona do circo. Para assistir as nossas peripécias, o ingresso para a"função" do circo, eram  palitos de fósforo que variavam quanto à quantidade, de acordo com a nossa vontade. E lá vinham entre outras, Mitió, Raremi, Mieko. O pai delas tinha um bar numa esquina, ao lado da padaria do Seu Pedro Vivan, emfrente à igreja matriz.. Por falar no Seu Pedro, até hoje quando assisto novelas de época, de imigrantes italianos ou filmes lembro-me da mãe dele, a nona, viúva, toda de preto, lenço na cabeça, também preto com seus passinhos ligeiros.
Ah! Seu Pedro! Quantos sonhos deliciosos comi e que acabaram fazendo parte das delícias que se acomodaram gostosamente em minha memória.

 

2 comentários:

  1. "O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar". Seu texto faz com que eu comece a voar,voar....eta tempinho bom!!!!
    Gostaria de ter,como você,essa memória faantástica!
    Parabéns e, continue nos presenteando com suas memórias.

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    1. Que bom receber o seu comentário tão gratificante.Obrigada também por ter contribuído com seus talentos, na época do grupo escolar, para alimentar a minha memória.Bjos.

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