Aí vão minhas passadas pela vida (passos não só dados com os pés mas com corpo e alma), que começaram em 1946, um ano após o fim da segunda guerra mundial.
O outono se aproximava do fim e eu do começo. Naquele final de junho,dia 20, só esperei o sol nascer e, as sete horas e sete minutos cheguei. Muito branca sem ser de neve e cabelos negros como o ébano. Chamava muito a atenção.
Disposta já a aprontar, quando todos os bebês viviam envoltos em faixas eu, por conta de um problema de pele, passei quase um ano nua.
Hoje já não chamo a atenção. Os cabelos pretos ficaram castanhos e depois ao quererem ficar brancos, o louro-cinza os cobriu. A pele, curtida pelo sol ao soltar pipa, jogar bola e mais tarde atravessar canaviais para dar aulas, amorenou-se.
Cresci ao lado do cinema, em Getulina, no Bar Cinelândia e em frente ao Banco São Paulo. Carlinhos, filho do gerente do banco e eu, ficávamos sentados de mãos dadas na frente ao cinema, afinal, já devíamos ter quatro ou cinco anos.
Mais tarde, não sei exatamente quando, mudamos para o Bar Pinguim, que se tornou o mais famoso point da minha pequenina mas tão querida cidade.
No começo de dois mil e dez, pleno verão, estava no ônibus indo para a terra do famoso Bar Pinguim, não o meu que há muito tempo não mais existe.
Nem sei como nem porquê resolvi escrever dentro do ônibus.
Estou vendo paisagens lindíssimas, depois de ter visto uma tremendamente horrorosa, o rio Tietê em São Paulo, Eu o conheço lá na Barra Bonita onde é charmoso, exuberante, navegável. _ Ei, se você pode, ajude a salvar o Tietê!
Pego na "pena", não para contar as minhas penas, mas para com os meus olhos de hoje, rememorar o que os meus olhares de ontem perceberam e gravaram. Mesmo que esse olhar esteja um tanto adulterado, pois não sei até onde minhas memórias são reais ou se ao relembrá-las, coloco muitas vezes outros sons e outros sabores.

Nenhum comentário:
Postar um comentário